É bastante comum para todos que se interessam em iniciar os treinos de Kyudo que compareçam a primeira aula ansiosos para segurar o arco e efetuar um disparo.
Entretanto, o Kyudo, como um caminho de melhoramento pessoal, exige mais do que simplesmente puxar a corda e disparar a flecha. Diz-se que “atirar a flecha é apenas ¼ do Kyudo”.
Assim, a prática desta Arte contempla quatro grandes esferas que são interdependentes:
A movimentação: como se portar no treino; os cumprimentos ao alvo, ao Dojo e aos colegas de treino; como andar, como sentar, como levantar; como treinar sozinho, como treinar em grupo e outros.
O material e local da prática: cuidados antes e depois do treino com o uniforme, com o material de uso particular/comum e a área de treino. Todos eles são considerados com muito respeito e são sagrados para a boa prática.
O disparo: como segurar as flechas, como segurar o arco, qual é a postura, como se deve vestir, como executar o hassetsu (os oito passos para o tiro).
Kyudo e a vida: levar a prática do Kyudo para todos os campos da vida, ou seja, a disciplina, a concentração e percepção de cada momento como único, viver um passo de cada vez, trazer consigo só os bons aprendizados do dia anterior para o novo dia, serenidade e espírito inabalável em frente a obstáculos. Somente assim o treino do arqueiro é completo e singular.
Apenas com o treino dessas quatro partes é que se consegue atingir o que, no Zen Budismo, se chama de Mushin, ou seja, o “não ego”, a “não mente” ou o “não-pensamento”. Um estado meditativo em que você pode atingir a sua essência e só é possível atráves da sua própria experiência e prática.